sexta-feira, 14 de junho de 2024

mútiplas poéticas

Oficina de Poesia Falada

escrita criativa criação e interpretação

neste sábado 14 às 16h

no Palácio da Cultura – Campos dos Goytacazes-RJ –

com Artur Gomes

durante a semana no grupo da Oficina no zap

Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima - Prefeitura de Campos

 

Bolero Blue

 

beber desse conhac em minha boca

para matar a febre nas entranhas

entre dentes - indecente é a forma

que te como bebo ou calo

e se não falo quando quero

na balada ou no bolero

não é por falta de desejo

é que a fome desse beijo

furta qualquer palavra presa

como caça indefesa

dentro da carne que não sai

 

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O Homem Com A Flor Na Boca

https://arturgumes.blogspot.com/ 



O poeta é um fingidor

chove aqui dentro
mais do que lá fora
eu tenho pressa
de olhar teus olhos
nesse mar de angra
o pau brasil ainda sangra

enquanto isso
ela passeia no egito
entre templos sagrados
dessas múmias quânticas

me perdoa
o poeta é um fingidor
mas eu não sou Fernando Pessoa

Artur Gomes

por onde andará Macunaíma?
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https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/



 Delicadeza

para Sofia Brito

Bebo teus olhos atlânticos
e tua voz portuguesa
como quem bebe no Tejo
saudades de Lisboa

caminho com os teus passos
em direção ao poema do desassossego
Florbela Espanca Alberto Caieiro Fernando Pessoa

Artur Gomes
O Homem Com A Flor Na Boca
https://www.facebook.com/ohomemcomaflornaboca


“Eros e Psique”

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão , e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

            Fernando Pessoa


domingo, 9 de junho de 2024

múltiplas poéticas


PESSOA

            Rose Araujo 🌹

 

Fernando

em seus tantos

entretanto

tão em si

 

📚✍🌹

 

#fernandopessoa

#ibis

#fernandopessoapoeta

#nascimentodefernandopessoa

#heteronimos




porque hoje é 12 de junho véspera de 13 quando se comemora o dia  de Santo Antônio o Santo Casamenteiro

 

Jura Secreta 14 


eu te desejo flores lírios brancos 
margaridas girassóis rosas vermelhas 
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema 

eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura 

e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos 

eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 

enquanto a vida nos procura  

 

Artur Gomes

Juras Secretas –

Editora Penalux 2018

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https://braziliricapereira.blogspot.com/

 

Nesta próxima segunda-feira passarei o dia na Casa de Cultura poeta Antônio Silva em Conselheiro de Josino, atendendo ao  convite do seu coordenador, Helder Rangel, para conversar sobre Arte, com os alunos da Casa e falar poesia.

 

 e ela vai pintando

 o homem com a flor na boca

 com seus pincéis de aquarela

 poema que só é possível

pelas lentes dos olhos dela

 

Artur Gomes

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O Homem Com A Flor Na Boca


II Festival Cine Vídeo Poesia

na página Studio Fulinaíma Produção Audiovisual no facebook https://www.facebook.com/studiofulinaima/

 

“ODE À PINDORAMA CONTEMPORÂNEA”

Manifesto brasiliano extemporâneo

 

(Videoperformance de Tchello d’Barros)

 

 

SINOPSE   

“O espírito da Semana de Arte Moderna é evocada cem anos depois, nesta performance de Tchello d'Barros, realizada na mesma escadaria do Theatro Municipal de São Paulo, onde os modernistas há um século mudaram a história da arte no Brasil.  

 

REALIZAÇÃO

"Ode à Pindorama" foi realizado c/ Produção da Fluxo Filmes, Cinegrafia de Marvil Sertori, Edição de Jozefo Roza, com Texto, Atuação e Direção de Tchello d'Barros.

                  

FICHA TÉCNICA

Gênero: Videoperformance

Categoria: Livre

Cor: Sépia

Duração: 14:50 Min

Extensão:.MP4

Arquivo: 506 MB

 Formato: 1920 X 1080

Ano: 2022

Local: São Paulo, Brasil

Realização: Fluxo Filmes

Assista no Youtube, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=dM5jcmjPXt0

 

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ODE À PINDORAMA CONTEMPORÂNEA

Manifesto de 2022 | Tchello d’Barros

 

I - Brasilianíssimas

 

Minha terra é brasilíada, brasidílica, brasilinda! Minha terra é mais que garrida, tem mais que palmeiras: aqui é Pindoramagia!

A descoberta desse Brasil é diária. A conquista, também.

Aqui tem pau-brasil, pau brasino de brasido e brazedo: brasilivre de orlas infindáveis, inefáveis. Terras virgens que guardam pegadas de curupiras, matas de matintas e florestas de mapinguaris.

Aqui tudo que se planta dá e recebe a dar com o pau. É lugar de flora melíflua, flores ebúrneas, pétalas ebóreas, inflorescências arborescentes.

Olores de eflúvios oníricos e semeadura de revolução que germina em conquistas do povo, da pólis, de todos.

A esperança está na brisa, em flagrante fragrância que poliniza, poesia que prolifera, verve que poliflora.

Bem-vindos a esta nação de ritos: de Torés transcendentes, de Cruzes redentoras, de Terreiros libertários.

 

II - Entre Pasárgada e Ilha de Utopia

 

Uma criança desenha a palavra amor na areia clara da praia de Itamaracá.

As sombras das casas nos povoados e vilas de nosso Brasil profundo, crescem no poente, formando palavras como: recanto, idílio e paraíso. Óbidos, Blumenau e Olinda.

Nesses costados tisnados de sagas e sinas e destinos é que o Sol nascente encontra primeiro a América menos americana das Américas.

Essa terra tem dono sim senhor: tem perímetros e pontos cardeais, mas as fronteiras são de brindes, sorrisos e abraços.

 

Brasilíada, daqui e de lá: do Arroio do Chuí, no Sul, ao Monte Caburaí no Norte; da Nascente do Rio Moa no Oeste à Ponta do Seixas no Nordeste. Aqui a bússola da liberdade se desenha no ir e vir da rosa dos ventos elíseos.

Territórios de floreiras, campos e clareiras, ilhas e redondilhas de praias, areias, ondas e ondinas: tem surf na pororoca e mergulho no Pantanal. Escalada no Monte Roraima e neve em Brunópolis. Desde navegações pelo Rio Madeira a jornadas pelos Caminhos do Peaberú. 

Nossos rios são ruas de ontens e amanhãs: fluem no dia de hoje em nossa brasilianíssima parcela planetária.

Os afluentes do Amazonas tingem o sangue debaixo da derme. O cume do Pico da Neblina tange a tessitura de nossa pele. Os cimos da Serra do Rio do Rastro plasmam nosso corpo que dança e luta.

Essa terra evoca batalhas por independências, conquistadas com braço forte e justiça social como norte. Seguem velozes os voos das flechas de Tiaraju, Cunhambebe e Arariboia.

Nosso ir e vir é tal, que chega a ser continental.

Trem, nem sempre tem, mas sempre tem quem te quer bem!

 

III - Minha casa é seu mundo e minha gente é seu povo

 

Terra Papagalli: Somos de Pindorama. Abya Yala é aqui também. Dos ancestrais aos originários, dos que vieram antes, de outros quadrantes, depois de tudo, somos brasilianos de terra antiga em novo mundo.

Uma icamiaba virgem, esculpe em jade um novo Muiraquitã, sob um sorriso silente de Iara à luz do luar.

Nossa esperança vibra à flor do pelo, e nossa pele é tanta, de tinta retinta, preta, parda, morena, indígena, branca, de todos os tons: somos mescla em matizes e matrizes misturadas na paleta da vida.

A genética plural que nos modela, cromossômica e helicoidal, constrói em uníssono um vocábulo rizomático: equidade na alteridade e diversidade na democracia.

Na orla de Coruripe, o caiçara e o gringo singram na mesma jangada. Em Floripa, o nativo e o universal bebem juntos a cachacinha de alambique em cumbuca de argila. No Cerrado, o mestiço e o cosmopolita lançam a mesma rede no Lago Paranoá.

Nossa lei se chama Paz.

Nossa bandeira se chama Amor.

Nosso hino é alento e acalanto.

Nosso corpo tem cicatrizes mas nossa alma é de festa.

Por aqui, somo um povo manso: tacape na opressão, borduna no autoritarismo e zarabatana no fascismo.

Em nosso lugar de fala, de reza e de vida, fazemos contas com miçangas e terabytes:

Eu + tu = nós.

Nós + eles = minha taba é local, nossa aldeia é global.

Aqui a soma resulta sempre mais: sempre cabe mais um. Nessa equação, mais que dividir o bolo-de-rolo, multiplica-se o vinho, e também o café, e ainda o tacacá.

A coragem, rebeldia e subversão nos constituíram com as lutas por liberdade, desde Zumbi, Calabar, Anita Garibaldi, Olga & Prestes, Lamarca, Marighella, Niemayer. Forças que ainda reverberam em todos nós, por todos nós!

Aos forasteiros imantados pela magia daqui, nosso grito primal: vinde e somai!

 

 

IV - Pluralidades da arte

 

Brasil de vasto mapa: mapeadas a memória, a tradição e o folclore, como arte vivaz na contemporaneidade.

Na palavra espontânea do repentista, as entrelinhas de um tratado filosófico. No movimento circular da dançarina de Lundu, a lição do sentido da vida. No semblante do brincante de Boi Bumbá, a ideologia que contagia com magia.

A norma culta e a fala dita erudita, brindam abraçadas com os sotaques diversos e os falares populares dessa gente que tem o que dizer e sabe o que quer.

Toda filosofia estética cabe no olho que hoje sorriu ao avistar uma canoa no Rio Acre. Toda teoria poética cabe na voz do gaudério que entoa uma milonga na invernada. Toda ode antropológica cabe na dança do Xokleng que invoca seus ancestrais.

A arte visual pulsa em batimentos inefáveis: seja na ruptura disruptiva das cores de um cocar em Parintins, seja nas nuances frias de uma rede tecida manualmente em Fortaleza, ou ainda nas tonalidades quentes do bordado em um florido vestido na Oktoberfest.

Nesse país telúrico, tem rabo-de-arraia na Capoeira de Angola em Itaparica. Tem ginete com potro chucro corcoveando em Barretos. E peregrinos que vem de longe ao Círio de Nazaré.

Além do além: somos imersos em lindas lendas, contos curtos e causos tantos.

Yes, nós temos Carnaval! Aqui carnavalizamos a vida, invertemos os poderes instituídos e trocamos os papeis sociais. Sempre com ginga no pé, ritmo na bateria e muita arte na fantasia.

 

V - Devorar linguagens para regurgitar cultura

 

Nesse limiar em que o Atlântico nos encontra e nos encanta, em que a linha do Equador nos atravessa ao avesso, em que os ventos andinos nos alcançam: somos a herança das revoluções da América do Sol, do Sul do orbe, do céu mais azul.

Somos entretecidos em conquistas que nos formam, entrelaçados em utopias que nos transformam.

Seguimos antropofágicos-antropomágicos. Aqui, ainda devora-se o Sardinha, e com tempero mineiro, iguarias baianas e ervas paraenses. Ao digerirmos sabores da terra, deglutimos saberes do mundo.

Sim: ainda bebemos cauim. Degusta-se axé de fala, graspa, garapa e chimarrão.

Nossa fé mais profunda, oblitera as sanhas oligarcas: antigos impérios patriarcais, clãs opressores e dinastias totalitárias aqui cedem lugar a solidariedades comunitárias, canções conjuntas e partilhas do pão entre iguais.

Ainda há espaço para desideratos: sonhos coletivos que desenham-se nas redes do pescador, há desejos amorosos no rasto da canoa, há mistério no tapete de estrelinhas alvacentas que o luar tece sobre a foz do Velho Chico.

Aqui a sanha capitalista foi devorada e regurgitada como pacto social.

A elite não é eleita: da política poética à ética pacífica, da verve artística ao idílio utópico.

Fora fardas! Fora fardos! Fora feudos! Fora fraturas de futuros!

Adeus tropas, patrulhas e pelotões! Bem-vindos folguedos, tertúlias e saraus!

 

VI - Do lado certo da história

 

Em nosso brasão brasilaico dentro do coração, permanecem o verde-amarelo, tanto quanto o vermelhusco coruscante, rubro encarnado da brisa que acende a brasa.

Na tela branca, uma pintura que se plasma na diversidade: um porvir em pinceis de utopia, tintas do arco-íris e as nuances da pluralidade existencial. 

O vizinho ao lado e do outro lado do mundo, nos fortalecem, pois nossas ruas são parte da pátria, somos estradas sem fim. Quem nos visita, em lume ou rima, sublime se ilumina.

Eis que a (r)evolução já aconteceu. E, contamina, penetra, expande, pois a senha de nossa cidadania chama-se: afetividade!

Nosso estar no mundo contagia, sutilmente poliniza outras pólis, outros povos, mundo afora, Brasil adentro.


Ode À Pindorama

https://www.facebook.com/artur.gomes.9083/videos/770439438618739


quarta-feira, 5 de junho de 2024

múltiplas poéticas



*


el obsesionado

excito o
insone ensino
enceto o
insano acinte
nas veias
o vício
nos veios
o veto
eu sou o
ocioso -
o separado
- o des
gostoso
e por três
vezes traí
três tristes
tigres
incitando
na cítara
os despojos
da víbora
alojo o
lodo viscoso
alicio o
lado sombrio
na face
os ferros
no fosso
os filhos
enceno o
aceno último
instalo o
estalo ínfimo
eu sangrei
no prado
onde gritam
os leopardos
e por duas
vezes perdi
Ítaca aos
moços
enfermiços
enfim
a carne
do corpo
caindo
em mim
tua dor
entrando
amanhã
acordaremos
na terra
onde nasci

garbo gomes

arte :
Dorothea Tanning
( 1910-2012)
Profanation, 1943
35.6×27.9 cm.

óleo sobre tela.



anti - ambiente

que caiam as árvores
e o fogo se espalhe
o fim de tudo
é o primeiro
passo

garbo gomes

arte :
"sous les yeux horribles
des pontons"
Rimbaud

Marc Guillaumat



Poema Visual - Hugo Pontes

II Festival Cine Vídeo Poesia

Kino3 – Fulinaima MultiProjetos

Na página Studio Fulinaíma Produção Audiovisual no Facebook

 

“ECONOMIZE-ME”

(Um videopoema de Tchello d’Barros)

veja na página

 

SINOPSE   

Um indivíduo imerso na natureza vocifera versos   contrapondo a selvageria do capitalismo em contraponto à vida de vítimas da sanha opressiva em nosso vulnerabilizado tecido social.

Acontece que não vai fazer a menor diferença

A depreciação do câmbio pelo superávit primário

Nem a fuga de dólares com o boom das commodities

Ou o investimento flutuante em derivativos de debêntures

Para a catadora de sururu no mangue lamacento

que amamenta sua criança quando baixa a maré

 

 

REALIZAÇÃO

"Economize-me" foi realizado c/ Produção e Cinegrafia da Fluxo Filmes, Pós-produção de Leonardo Soares e Mosaico, Edição de André de Belém e Milton de Oliveira, com Texto, Atuação e Direção de Tchello d'Barros.

                  

FICHA TÉCNICA

Gênero: Videopoema

Categoria: Livre

Cor: Em Cores

Duração: 03:50 Min 

Extensão:.MP4

Arquivo: 60 MB

Formato: 1920 X 1080

Ano: 2021

País: Brasil (Rio de Janeiro - RJ e Belém - PA)

Realização: Fluxo Filmes

veja na página Studio Fulinaíma Produção Audiovisual

https://www.facebook.com/studiofulinaima/




O Homem Com A Flor Na Boca

Artur Gomes O Homem com A Flor Na Boca      * Poética, política e memória   Escrever prefácio para um livro de Artur Gomes é um des...