terça-feira, 28 de maio de 2024

Aos predadores da utopia - Lau Siqueira

 

   Aos predadores da utopia

 

dentro de mim

morreram muitos tigres

 

os que ficaram

no entanto

são livres

 

Lau Siqueira

Do meu primeiro livro, O Comício das Veias, lançado em 1993.Hoje também no Inventário do Pêssego, que reúne meus quatro primeiros livros e foi publicado ano passado pela Editora Casa Verde - casaverde@casaverde.art.br



13 livros para conhecer a literatura paraibana contemporânea

https://medium.com/revista-sucuru/coluna-zoiudo-13-livros-para-conhecer-a-literatura-paraibana-contempor%C3%A2nea-378524d7ef8b


domingo, 26 de maio de 2024

  

A Traição do Lirismo
Dalila Teles Veras 


Artur Gomes, feito gume, é máquina devoradora do mundo. Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. 

 

Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo  e na disposição visual do mesmo no espaço do suporte - papel ou pano - 
bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, 
(in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse,  a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia. 

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, 
sem pressa (os anos não parecem pesar - na carne nem no espírito) 
a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem da colagem, 
(re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem  mesmo o velho Serafim sonhou. Nada, absolutamente nada escapa  à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa  voz a evangelizar para a poesia.

Este Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas é a continuação 
de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens  já apareciam em Vinte Poemas com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção  Com Sabor de Campos.

 

Legítimas apropriações retiradas de 
suas viagens brazílicas, figuras que a sua generosidade literária 
faz questão de homenagear. Na passarela poética de Artur, 
tanto podem desfilar Mallarmé, Faustino, Dalí, Oswald, 
Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César  e o sempre lembrado mestre Uilcon Pereira,  a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimos  encontrados nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, 
objeto constante de sua poesia.

 

Neste caldeirão,  “olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico,  rimas milionárias em permanente celebração.  O poeta Artur, disfarçado de concreto, 
celebra descaradamente a amizade e o lirismo  e ri-se de quem tenta classificá-lo. Evoé, Artur!


 

Delírio Verbal e Preito 
em BraziLírica Pereira

O livro, altar em que se celebra poetas do conturbado século XX, traz a poesia do poeta fluminense Artur Gomes, situada na interface da praxis artística e da experiência existencial, advinda do campo das escaramuças lexicais e da experimentação alegórica. 

Erorci Santana* 

leia mais no blog

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/



BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas (Alpharrabio Edições, Santo André/SP, 2000), obra poética de Artur Gomes, toda grafada em minúsculas, principia com dois textos ou, melhor, intertextos com lastro na obra do escritor Uilcon Pereira, espécie de homenagem a desvairada letra uilconiana e à figura daquele escritor. Tanto que, no sintético poema que arremata esse preito literário, Artur o invoca através de uma circunstância biográfica datada:

“quem es tú uilcon pereira?/que foste fazer na sorbonne?/ter aulas com sartre/ou cantar a simone?”. 

Contudo, e apesar da primazia de Uilcon Pereira nesta festa verbal, é vasto o coração dessa usina lírica, BraZilírica Pereira trafega em que, antes de traição, há a afirmação do caráter multifacetário e engendrador das metáforas, personificadas e levadas ao extremo onde êxtase e humor se entrelaçam.

 Todo um renque de escritores de ponta é glosado, parodiado e parafraseado: Mallarmé(e seu lance de dados), Oswald de Andrade (e seus biscoitos finos, prometido ao palato das massas), Leminski (e sua Alice), Drummond (e seu anjo torto), além de Torquato Neto, Mário Faustino, Sousândrade, Ezra Pound, Dalí, Ana Cristina César, autores referenciais a constituir um panteão geracional. São ícones alinhados no altar da celebração literária, sim, mas também serventia doméstica, dos quais o autor se utiliza, por estético capricho, com derrisão e iconoclastia:

“torquato era um poeta/que amou a ana/leminski profeta/que amou a lice/um dia/pós/veio uilcon torto/e pegou a joia diana/juntou na pereiralice/com o corpo & alma das duas/foi Beauvoir assombradado/roendo o osso do mito/pra lá de frança ou bahia/pois tudo que o anjo via/Sartre jurou já Ter dito/Nonada/biúte:ria”. 

Aqui não se vislumbra paradoxo, pois a modernidade, tendo peneirado as cinzas da dor humana no século XX, revelou a fênix de face tanto ebúrnea quanto álacre; a arte passou a privilegiar o profano e o lúdico em detrimento das inclinações sacramentais e sombrias.

E essa BraziLírica Pereira antropofágica e transluzente é a maneira do poeta entretecer a urdidura dos afetos, reinventar a cultura e os agentes culturais de sua predileção, com instrumentos lúdicos e sarcásticos, considerados a ponte para a grande arte. 

Outro aspecto a ser considerado é que o autor, egresso do movimento da poesia marginal dos anos 70,

 “essa poesia de efeito extraordinariamente comunicativo, que procura e tira vantagem de uma dicção bem-humorada, ardilosa, alegre e instantânea”, na radiografia de Heloísa Buarque de Hollanda, incorporou e aprimorou suas principais conquistas estéticas, notadamente elementos da oralidade acoplados à exploração acentuada da sonoridade vocabular, recurso que leva a poesia ao liminar do domínio musical.

Quase não é mais poesia para ler e sim para dizer em alta voz, ou cantar., circunstância em que o poeta moderno recupera o status de jogral. Nessa aventura literária, às vezes o autor se transubstancia no texto, traveste-se através das personas Lady Gumes, Macabea, Federika Bezerra, Fedra Margarida, projeções de seu alter-ego que pretendem cravar o corpo na palavra, com sinuosidades, coalescências e dissimulações, atributos só encontráveis no espírito feminino. 

Situada na interface da praxis artística e experiência existencial, o poeta-prazer, com estado de êxtase permanente desde Couro Cru & Carne Viva, perpetua sua poesia guerrilheira no campo das escaramuças lexicais e da experimentação alegórica, dotada até de um certo autoflagelamento exibicionista, em que louca e alucinada se lacera e despe-se da veste hierática revelando sua outra face insuspeita, sua outra indumentária profusa e multicolor. Em outras palavras, seu traje de ironia e de humor. 

Erorci Santana é poeta, autor de Estatura Leviana, Conceitos para Rancor e Maravilta.

leia mais no blog

Vampiro Goytacá

https://arturgomesgumes.blogspot.com/

 

axioma para final de século 

p/Carlos Careqa & Hélio Letes

 

a diferença

entre o legume

e o vegetal

VER/dura

mineral

nas minas do quintal

fruto menstrual

no ancestral pomar

das coxas

 

Artur Gomes

BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas

Alpharrabio edições - 2000

leia mais no blog

Balbúrdia Poética

https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/



tirei hoje de uma foto.grafia que vi na tv a fumaça do tempo         em que não vivi 

 

Artur Gomes

https://arturkabrunco.blogspot.com/

sexta-feira, 22 de março de 2024

Tchello d´Barros

 

👆 CONVIDO-LHES PARA O LANÇAMENTO DE MEU LIVRO EM SÃO PAULO 😀

 

O escritor, redator e roteirista Tchello d’Barros, catarinense radicado no Rio de Janeiro (RJ), lançará seu livro de poemas, “Cataclísmica”, pela Desconcertos Editora, em 22 de março de 2024, as 19h, na Livraria Patuscada, em São Paulo.

 

☝ O LIVRO

 

"Cataclísmica– 100 Poemínimos e hum Manifesto" consiste coleção de textos breves que dialogam com os livros anteriores do autor, mantendo a experimentação formal como eixo do trabalho. O autor traz a lume uma série de nanopoemas, também chamados de poemínimos, em uma tônica que transita entre o rigor formal na montagem dos versos e instigantes combinações sonoras e visuais com eventuais jogos de palavras. O arco temático fala sobre relações humanas, vida em sociedade, aspectos inusitados do cotidiano, mas também (não sem algumas ironias) sobre amor, sexo, fé, política e até mesmo alguma metalinguagem poética de ocasião. São quatro capítulos: Dantes, Devir, Porvir e Hodierno, cada um reunindo textos que se aproximam seja pela forma, seja pelo conteúdo. Além disso, há um bônus no livro, uma prosa poética: o manifesto Ode à Pindorama Contemporânea, texto iniciado em guardanapos na cafeteria do Theatro Municipal de São Paulo, no âmbito das comemorações do centenário da Semana de 22. A obra reúne poemas de diferentes fases da carreira de Tchello d’Barros, que já conta com 3 décadas de atividades no cenário nacional e internacional, com 10 obras solo publicadas e textos em mais de 100 antologias e livros didáticos. "Cataclísmica" chega para somar no catálogo da Desconcertos Editora (SP), conhecido por valorizar a produção poética contemporânea no Brasil.

 

☝ CRÍTICA

 

O jornalista e professor universitário paulistano Franklin Valverde considera no prefácio da obra que ‘Tchello d'Barros, entre os poetas brasileiros, é um dos que melhor entendeu todas as possibilidades que as redes oferecem, brindando a todos e a todas com sua qualificada produção poética. Agora, com a publicação deste "Cataclísmica", temos a oportunidade de nos deleitarmos com uma parte de sua criação poética reunida neste volume.’’ Já a Drª. Urda Alice Klueger, romancista e membra da Academia Catarinense de Letras, aponta na orelha da obra o aspecto nomadista do autor-viajante, contando que “...vi crescer a preocupação de Tchello d’Barros com o que se passava em nosso país, em nossa América dita Latina, no mundo. Ensaiou ele, então, as suas primeiras viagens, primeiro para os outros lados do grande Mar-Oceano (...) quando menos se esperava, estava por aqui outra vez, agitando o coreto, com algum livro novo, alguma nova exposição. Pouca gente, que eu conheça, é capaz de tal busca, de tal preocupação em ver e sentir”. E os aspectos mais teóricos da obra são abordados pelo Prof. Dr. José Endoença Martins, ao iniciar seu posfácio questionando: “Onde se encaixa a poesia de Tchello d’Barros na literatura poética atual? A centralidade que o olhar ocupa nos versos do autor são geradores de visões sonoras e revisões amorosas nos jogos verbais que articulam, onde a poesia é tomada pela palavra que olha e, no olhar, se reinventa, jogando-se contra si mesma. Os jogos verbais se revelam no relevo dos jogos amorosos com os quais Tchello edifica o conjunto dos versos e poemas de "Cataclísmica". Tais jogos sonoros redimensionam as nuances poéticas do olhar.”

 

☝ DADOS DA OBRA

 

Título: “CATACLÍSMICA” ®

Autor: Tchello d’Barros ©

Gênero: Poesia

Páginas: 140 págs.

Formato: 14 X 21 cm

Ano: 2024

Edição: Desconcertos Editora

Projeto gráfico: Multi-Prisma

Orelha: Drª. Urda Alice Klueger

Prefácio: Franklin Valverde

Posfácio: Prof. Dr. José Endoença Martins

Imagem da capa: “Labyrintithesis” - poema

visual de Tchello d’Barros

Preço de capa (pré-venda e lançamento): R$ 50,00

 

☝ SERVIÇO

 

Evento: Lançamento do livro “Cataclísmica” de Tchello d’Barros

Sessão de autógrafos e sarau Poesia Plural c/ poetas convidados

Horário: 19 h

Data: 22.Mar.2024 – Sexta-feira

Local: Livraria & Café Patuscada

Rua Luís Murat, 40 - Pinheiros. São Paulo (SP)

Realização: Desconcertos Editora

Entrada franca

Preço do exemplar: R$ 50,00


Beth Araújo

Beth Araújo é uma menina que atravessa a minha trajetória por esses 50 anos de Poesia com muito amor, afeto e carinho

 Esse espaço tem "mil"textos fantásticos. Poesia ? Prosa ? Não importa ! Imponderáveis, não há como definí-los. A construção poética se faz presente. Pena que não me sobra tempo para agradecer. Mas a gratidão já fez morada em mim. Um afetuoso abraço, envolvido na saudade de sempre.

 A menina abaixo ainda mora aqui e com a alma de sempre para curtir a Arte , em tom maior, apesar das dores intensas da velha.

* 

É imperativo ler seu/ nosso livro.

 Espetacular, acho eu com o pouco que li dele. Mas vou ter o livro para tê-lo nas mãos. Tela ? Só quando não se tem jeito. . . coisas da paixão que foi plantada com livro de papel: cor, cheiro, tato, calor, amor pelo ser humano , plantado nas linhas infinitas infinitas infinitassssssssssssss

*

 Estou sem fala. Emocionada demais. Não é uma emoção triste . É a alegria de ser lembrada e homenageada por você , meu amigo Artur Gomes, amigo e poeta maior, que revoluciona palavras, poema, gostos, jeitos , modos de pensar e de amar. Quando conversamos com você , sempre saímos modificados, o sol se altera, a lua passa a falar coisas estranhas , mas tudo encharcado de poesia. Essa é a sua vida , em que tivemos a sorte de estar incluídos no seu compartilhar poético.

Beijos !

 Beth Araujo, de Itaipú, em 28 / 02 / 2024.

pan(demônica)

 

 pan(demônica)

 

passeio os pés descalços sobre covas rasas

contando ossos no poema exposto

                           no sujeito do objeto

tudo isso exposto nesse papo reto

                          segue o passo norte

não leio cartas de suicídio

nem decreto de hospício

na tentação que me conforte

quero matar o genocídio

          pra não morrer antes da morte

 

Artur Gomes

Pátria A(r) mada - 2ª Edição

Desconcertos Editora

https://arturfulinaima.blogspot.com/

Afrodite


Afrodite

 

para a  nova Pimenta do Reino

eu falo eu fauno eu fumo
na espuma dos mares
de Zeus ou Vulcano

nos cornos do americano
na pele clara da gema
nas brumas de Ipanema

ou nas Dunas do Barato

na era Atenas me disse
pra Hera nunca dissemos
em grego a deusa do amor
em romano  mamilo de Vênus
também a irmã de Helena
que a um outro rei Prometeu
provocando a ira em Menelau
quando soube que Páris sou Eu

Dioniso das festas de Baco
do vinho dos ritos das juras
Afrodite em mim criatura
Bacante que o cosmo me deu

a puta  da ilha de Creta
mulher quando o vinho é na cama
a que sabe beber do que ama
sem pensar no que  Cronos secreta

 

Artur Gomes

O Poeta Enquanto Coisa

Editora Penalux – 2020 https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

jura secreta

 

Jura Secreta 

não fosse essa jura secreta 
mesmo se fosse e eu não falasse 
com esse punhal de prata 
o sal sob o teu vestido 
o sangue no fluxo sagrado 
sem nenhum segredo 

esse relógio apontado pra lua 
não fosse essa jura secreta 
mesmo se fosse eu não dissesse 
essa ostra no mar das tuas pernas 
como um conto do Marquês de Sade 
no silêncio logo depois do susto 

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2028

https://secretasjuras.blogspot.com/

O Homem Com A Flor Na Boca

Artur Gomes O Homem com A Flor Na Boca      * Poética, política e memória   Escrever prefácio para um livro de Artur Gomes é um des...